Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Maternidade

Por esta altura deveria de ter uma criança com 2 anos a implorar pela minha atenção. Pelo menos foi assim que planeei há alguns anos atrás, talvez ainda antes de ter um pai para lhe dar, uma casa para a acolher e a consciência efetiva do que pode eventualmente ser isto da maternidade.

 

Sempre disse com convicção que queria ser mãe aos 27 anos. Talvez porque a minha mãe foi mãe aos 27 e sempre me pareceu uma idade bonita. Dizia com total certeza que pelo menos antes dos 30 teria de ser, que queria ser uma mãe jovem. Os 27 passaram, os 28 passaram, os 29 estão a passar e já é fisicamente impossível ser mãe antes dos 30 e nem sei se isso acontecerá antes dos 31. Há dias que isso me revolta - que a vida não me tenha dado condições para seguir com os meus objetivos - há dias que isso me conforta - porque há dias que é bom ser apenas eu e estas quatro paredes em total harmonia e silêncio. Vou vivendo com esta dicotomia de sentimentos: Se por um lado quero muito ser mãe e esta coisa do relógio biológico apita e buzina e não me deixa descansar, por outro lado acho que ainda não estou preparada: é tão bom não ter obrigações efetivas... Se não me apetecer cozinhar não cozinho, se nas folgas não quiser sair da cama não saio, se após o trabalho quiser ir para a farra nada me prende. Mas depois penso: Será que algum dia estarei? Será que alguém efetivamente se prepara para a maternidade? Para tudo o que isso implica? Para tudo o que daí advém? E felizmente estes pensamentos acalmam a adrenalina que me atravessa, respiro fundo e o relógio volta a buzinar.

 

Mas no fundo, se pensar com consciência, a maternidade não faz sentido.

 

O que é que no fundo a maternidade traz? Preocupações, rugas, horários ainda mais rígidos, problemas financeiros, problemas conjugais, e poderia ficar aqui o dia todo a enumerar o lado negro da maternidade. Mas depois penso no quanto quero ser mãe e todo este panorama se desvanece. No fundo o relógio biológico é um apagar da consciência e um renascer da inconsciência, da insensatez, que é colocar um ser no mundo com toda esta podridão - instabilidade financeira, instabilidade social, instabilidade geral... - apenas para nosso prazer próprio. À parte da continuação da espécie ser mãe/ser pai é uma satisfação pessoal, o que me leva à seguinte reflexão:

 

No fundo ser mãe/ser pai é um ato de egoísmo, certo?... Ou será apenas um ato de amor? Que bicho é este que nos faz querer prolongar, por um amor incondicional que nos consome e nos sufoca a alma?

Alfabeto Literário # Balanço Final

Balanço do desafio

 

E assim terminamos este desafio que se iniciou em Agosto. Foi um longo percurso pelas letras do alfabeto e pretendo então fazer um pequeno balanço sobre o que achei do desafio, sobre as maiores dificuldades e benefícios deste desafio e de outros deste género.

 

A maior dificuldade que tive foi relembrar os livros mais antigos lidos e acabei a falar apenas de livros mais recentes. Gostei bastante de conhecer as preferências de todos os outros participantes e uma vez mais, como já aconteceu em anterior desafios, muitos livros que até então desconhecia são livros que marcaram outras pessoas. É um bom desafio para conhecermos novos autores e termos uma diferente perspetiva até daqueles que já conhecemos, por isso gosto de participar. O maior ponto negativo é a obrigação de publicação, mas como sou de palavra levei tudo direitinho com muitos posts agendados para não falhar.

 

Para a próxima já sabem: Juntem-se a nós!

Café com cheirinho

E não, não me refiro a café com perfume a rosas ou a jasmim.

 

 

Estava num jantar de colegas de trabalho e apesar de habitualmente não beber café à noite, a verdade é que o vinho que acompanhou o jantar era demasiado bom e eu precisava de um café para arrebitar. Vem o senhor do restaurante recolher o número de cafés a pedir e uns minutos depois traz os ditos.

 

Um dos cafés foi virado no tabuleiro.

 

Quando traz esse último café para um colega dizendo "este é com cheirinho para compensar o acidente e a demora" eu aproveito e digo "falta o meu..." O senhor indica que não podia ser, porque tinham sido pedidos 6 cafés e que ele tinha trazido 6 cafés, mas eis que se percebe que o último café que foi entregue, supostamente "com cheirinho para compensar o acidente e a demora" foi para um colega que não estava na mesa aquando do pedido, pelo que o café dele era na realidade o meu. Rimo-nos e o senhor foi buscar então um sétimo café. O meu colega prontamente levanta-se e dá-me o seu café, que na realidade era o meu, e aguardou a chegada do seu café.

 

Diz a minha chefe: "Mas olha que esse é com cheirinho!" e ri-se! Mas a verdade é que estávamos todos na brincadeira. Mas acrescenta "Não é? Ora cheira..." e eu cheiro, claro. Não me cheirava a nada... Pois claro que não, nem a aguardente, nem a café nem a nada, tenho uma constipação que se agarrou a mim que nem lapa e que ainda não me largou devidamente... Assumi que tinha sido tudo uma brincadeira, até porque o senhor depois levou o outro café ao meu colega e não disse nada, bebi o café pois claro e que bem que me soube. Estava mesmo a precisar.

 

O café tinha claramente um sabor diferente, não percebi o quão diferente porque as minhas papilas gustativas também estavam bastante alteradas, e por isso presumi que era de um lote diferente do que estava habituada a beber. Mas foi-me ficando um sabor fresco na boca, apesar de o café estar bem quente. Eis que no final, o resto do café era tudo menos café, percebo que efetivamente era mesmo um café com bebida alcoólica incluída.

 

Moral da história: Queria um café para arrebitar, ainda fiquei pior, mas ao menos serviu para uma boa gargalhada!

Açores - S. Miguel // Parte IV

Capa Açores 1.jpg

 

Dia 4

Ao quarto dia foi dia de conhecer Ponta Delgada, todas as noites fui percorrendo a pé as ruelas e calçadas mas ainda não lhe tinha dedicado tempo efetivo. Este foi um dia de sol, de chuva, de vento, de tudo um pouco. Mas foi essencialmente um dia de calor, que nos permitiu andar confortáveis.

 

Ponta Delgada é capital administrativa dos Açores e apesar das ilhas dos Açores serem descritas como sendo verdes, com muito pasto, muito gado, muitas montanhas e muita água, Ponta Delgada é uma cidade relativamente plana, moderna - preservada - e completa. É uma cidade com todas as comodidades necessárias sem que tenha abdicado do seu traçado regional.

 

Começamos este passeio pelas Portas do Mar, um grande empreendimento no passeio marítimo inaugurado em 2008 que prometeu dar vida à zona marítima da cidade. Aqui podemos desfrutar da cidade e do mar sem ter de abdicar de nenhum dos dois. É uma zona com muitos restaurantes e com animação noturna. Todas as noites fazíamos uma boa parte a pé deste passeio para ajudar a fazer a digestão.

 

 

clicar nas setas para ver restantes fotografias

(Passeio marítimo de Ponta Delgada)

 

 

Aqui no passeio marítimo encontramos várias empresas de turismo para fazer excursões, ir ver as baleias e os golfinhos, entre outros passeios em toda a ilha. Confesso que fiquei com pena de não ir para alto mar ver, mas a verdade é que o dinheiro não chega para tudo e os preços ainda eram elevados. Talvez numa outra altura até porque prometemos regressar.

 

Ali na zona das docas, como é possível ver numa ou outra fotografia, é possível nadar. Existe delimitação para que as pessoas saibam por onde podem andar e existe inclusive um nadador salvador. Digamos que é uma piscina em plena cidade e pelo que percebi, é gratuita.

 

 

clicar nas setas para ver restantes fotografias

(Zona marítima de Ponta Delgada)

 

Vê-se alguns turistas, mas curiosamente pensava que iria encontrar muitos mais. A verdade é que quando dizia que ia a S. Miguel as pessoas diziam que era bonito mas que agora haviam demasiados turistas que nem dava para ver bem as coisas, que agora o que estava a dar era ir para as outras ilhas antes de serem igualmente turísticas, e a verdade é que não senti nada disso. Há efetivamente algum turismo mas não me pareceu que a cidade estivesse lotada nem nada semelhante. Mas claro, temos de ter noção que fui em finais de Setembro, em Julho e Agosto imagino que seja diferente, mas Julho e Agosto é diferente em todo o lado.

 

O que adorei em Ponta Delgada é o facto de não tentarem modernizar a cidade, com prédios novos cheios de vidro e linhas modernas, gosto do facto de preservarem os edifícios em pedra, com pedra regional e acho que de outro modo seria uma cidade como qualquer outra sem qualquer piada.

 

clicar nas setas para ver restantes fotografias

(Praça de Gonçalo Velho)

 

E aqui está o ex-libris de Ponta Delgada, aquele símbolo que aparece desde sempre associado aos Açores: As Portas da Cidade. São três arcos de volta perfeita em pedra regional, erguidos em 1783 na costa sudoeste da ilha e que em 1952 transferidas para o seu local atual: A Praça de Gonçalo Velho e são o símbolo da defesa terrestre da cidade.

 

 

clicar nas setas para ver restantes fotografias

(Forte de S. Brás)

 

E por falar em defesa da cidade, um pouco mais à frente, temos o Forte de S. Brás também conhecido pelo Castelo de S. Brás edificado no século XVI.

 

E aqui tivemos de fazer uma pausa para gelado. Porque férias sem gelado não são férias, e ainda por cima encontrei os meus gelados de máquina favoritos que são tão difíceis de encontrar: baunilha - os mais comuns são de nata - e morango. Mais um ponto para S. Miguel!

 

IMG_20170922_151648(1).jpg

(Não foram os melhores que já comi, mas estava muito bom)

 

 

Ali bem perto do forte de S. Brás temos a Praça 5 de Outubro, que também é uma praça com traçado regional e com uma árvore muito antiga, que está neste momento em risco de queda, tendo uns suportes para que os seus ramos não se partam. Numa das laterais da praça temos o antigo Convento de São Francisco, atual Santa Casa da Misericórdia. No centro da Praça existe um jardim com um coreto 

 

 

clicar nas setas para ver restantes fotografias

(Praça 5 de Outubro)

 

 

clicar nas setas para ver restantes fotografias

(Santa Casa da Misericórdia e Monumento ao Emigrante)

 

 

 

clicar nas setas para ver restantes fotografias

(Edifício da PT; edifício histórico junto às Portas da Cidade e Igreja de S. Sebastião)

 

 

Há igrejas muito bonitas em S. Miguel mas a Igreja Matriz de S. Sebastião conquistou o meu coração com esta entrada em estilo manuelino, digam lá se não é um espanto! E até a Câmara Municipal tem uma arquitetura belíssima.

 

 

IMG_2487(1).jpg

(Câmara Municipal de Ponta Delgada)

 

 

Depois do passeio pelo centro de Ponta Delgada fomos um pouco mais para norte a Fajã de Baixo ver a plantação de Ananases de Augusto Arruda.

 

IMG_1880(1).jpg

 

 

A plantação de Ananases A. Arruda é de visita gratuita e curiosamente está situada numa antiga quinta de laranjas. Aqui podemos encontrar várias estufas com plantações de ananás em diferentes fases, desde a planta até ao ananás maduro pronto a colher. Em média um ananás de São Miguel dura cerca de 18 meses e é reconhecido como o melhor ananás do mundo. Aqui bebi um sumo delicioso de ananás, melão e menta. 

 

 

clicar nas setas para ver restantes fotografias

(Ananases A. Arruda - Espaço Exterior)

 

clicar nas setas para ver restantes fotografias

(Ananases A. Arruda - Estufas)

 

 

Ao final do dia fomos ainda dar um passeio pelo sul da ilha até Vila Franca do Campo onde numa vez mais encontramos miradouros com vistas de cortar a respiração. Mesmo as terras do interior dos Açores são incríveis, mas se vos mostrasse tudo o que vi e senti, acreditem, ficavam dias e dias a ler, dava um romance histórico o quanto eu gostei da ilha.

 

E já só falta um dia. O último dia reservamos para ir às Furnas por isso não percam o último episódio porque eu também não.

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.