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Desabafos da Mula

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos.

Desabafos da Mula

Alfabeto Literário #A Autor Favorito

Autor Favorito:

Muita coisa mudou desde o último desafio de livros. Conheci muitos outros autores, uns que me apaixonaram mais do que outros, mas ganhei um novo autor favorito, aquele autor que lhe permito até as mais longas descrições - que quem me conhece sabe que não sou apreciadora - e ainda me consigo apaixonar por elas. Um autor que um outro desafio literário me trouxe. 

 

Falo-vos, pois claro,  de Carlos Ruiz Zafón, autor da trilogia - mas que afinal são quatro -  O cemitério dos livros esquecidos. 

 

Quem mais é fã? Ou perguntarei antes... Quem não é? 

 

 

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Por 26 dias, eu, a Magda, a Just, a Maria João Covas, a Sofia Gonçalves, a Alexandra, a Drama Queen, a Caracol, a Gorduchita, a B♥, a Sandra.wink.wink e a Princesa Sofia responderemos a 26 perguntas sobre livros, tendo como mote o alfabeto. Às 14h das segundas, quartas e sextas, cá estaremos com este desafio. Não se esqueçam de visitar os restantes blogs para verem as várias respostas.

 

Boas Leituras!

Livro: E se fosse verdade... de Marc Levy

Já conhecia a história, já tinha visto o filme Enquanto estiveres aí... [título original: Just Live Heaven] que se baseou nesta obra de Marc Levy, por isso o livro não foi de todo uma surpresa, mas depois do Para onde vão os guarda-chuvas do Afonso Cruz, precisava de uma leitura mais ligeira, e por isso escolhi este pequeno livro, que me tinham oferecido há uns anos e que desde então jazia na minha estante. Nunca tinha lido Marc Levy e como sei que está O Ladrão de Sombras no Livro Secreto, decidi espreitar a escrita deste autor.

 

 

E se fosse verdade... conta a história de Arthur que após ter mudado de casa encontra uma rapariga no armário de sua casa. Assustado, acha que foi uma partida do seu sócio, mas logo descobre que este "espírito" pertence a Lauren, uma rapariga que está em coma há cerca de 6 meses devido um acidente rodoviário e que era a antiga proprietária daquele apartamento que Arthur acabou de alugar. Lauren poderia seguir com a sua vida de alma, mas há 6 meses que não falava com ninguém, porque ninguém a via nem a ouvia e por isso vê em Arthur a sua única salvação para passar o tempo enquanto não regressa do coma, se alguma vez efetivamente regressar. Arthur aceita ajudá-la e pretende descobrir uma maneira para a fazer regressar do coma, mas o tempo dos dois começa a escassear porque os médicos querem convencer a mãe de Lauren a deixá-la partir, uma vez que, apesar de respirar pelos seus próprios meios, não tem atividade cerebral há mais de 6 meses. Arthur engendra assim um plano para salvar a mulher da sua vida e rapta-a para que não prossigam com a eutanásia. Será que Arthur vai conseguir salvar Lauren? E se conseguir, o que será desta relação?

 

O livro é engraçado, não é extraordinário, mas é engraçado. É de leitura ligeira, mas falta-lhe comédia. Achei o filme muito mais engraçado do que o livro - ainda que o tenha visto há muitos anos. Mas gostei da parte da descoberta de Arthur à medida que se vai envolvendo com Lauren, e essa parte não me recordo de existir no filme.

 

A história é obviamente surreal e por isso nada tem de ter de verdadeiro, mas achei-a excessivamente irreal. Achei os discursos muito forçados e até estúpidos. No primeiro dia, e após perceber que Lauren é apenas um espírito, Arthur começa a galanteá-la. Porque a primeira coisa que um homem faz quando vê um fantasma é começar a namorá-la. Ok é só uma história. Depois há partes totalmente incoerentes: ela não pode pegar em coisas e por isso não pode preparar-lhe o pequeno almoço, mas eles os dois têm sexo. Alguém me explica como? Pois não sei, não entendi. A verdade é que o filme é muito mais romântico que o livro, o livro parece-me mais forçado. Curiosamente sinto o mesmo com os livros do Nicholas Sparks: Adoro os filmes, mas os livros não me seduzem.

 

À parte deste tipo de questões, e à parte de imensos erros de impressão que tem esta edição - que também não ajuda a criar a ligação - é um livro engraçado, bom para passar uma tarde ou duas e perfeito para quem quer ler para se divertir sem ter de pensar muito.

 

A quem já viu o filme, adianto desde já que o final do livro é um tanto diferente. O filme é com o Mark Ruffalo e com a Reese Witherspoon, o que logo à partida é impossível não sentir a empatia destes dois, mas ao ler o livro, não a senti, a sério, que não senti. Por isso mais um ponto para o filme e zero para o livro.

 

Poderia atribuir a culpa de o livro não me ter encantado, ao facto de conhecer a história, mas não acredito porque também conhecia a história de Viver depois de ti, da Jojo Moyes e adorei o livro - mais até do que o filme - acho apenas que este foi mal concretizado. Talvez sinta isto, devido a não ser o meu tipo de livro, porque gosto de livros com que possa aprender alguma coisa, com que possa ficar inquieta e com este não aconteceu, mas acho este livro realmente mal aproveitado, apesar da história não ser má.

 

Ainda assim, e apesar desta fraca experiência com Marc Levy estou curiosa com o Ladrão de Sombras que me passará um dia destes pelas mãos, e que já ouvi falar muito bem, por isso estou a criar algumas expectativas.

 

Quem é que já leu o E se fosse verdade...? Não vos digo para o lerem, mas se tiverem oportunidade, vejam o filme, é uma delicia de filme, muito mais credível, muito mais romântico, muito mais engraçado!

 

Boas leituras!

 

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Aproveito desde já para vos informar que vou participar em mais um desafio literário. Pelo que às segundas, quartas e sextas às 14h vou falar sobre livros, juntamente com a Magda e com que mais se juntar a nós. Fiquem desse lado, começa já amanhã! Queres juntar-te a nós neste desafio? Vê aqui como participar.

Apercebi-me que é muito fácil tomarmos uma má decisão...

... que possa ser desastrosa, ou só perigosa e inconsequente sem que nos apercebamos.

 

 

 

Ontem quando regressava de Trás-os-Montes para o Porto apanhei dois incêndios: um de dimensão considerável que pintou o céu de negro e vermelho, deixando-me o coração amarfanhado com a dualidade de sentimentos - como é que é possível tanta coisa que representa a destruição ser bela e horrenda ao mesmo tempo? - mas que estava lá bem ao fundo, bem longe de nós; outro que não parecia tão grave - o céu não estava de vermelho carregado, apenas de um cinzento denso, horrendo, com um cheiro insuportável a fumo e muito perto de nós. 

 

Estávamos a caminho da autoestrada. Vimos ao longe o incêndio, parecia-nos longe da nossa rota - ainda que mais ou menos para a mesma direção - até que começamos a aproximarmo-nos... Demais. Vimos uma grande nuvem negra, paramos, pensamos em voltar para trás, mas a alternativa ainda ficava bastante longe.

 

Hesitamos.

 

De seguida uns 10 carros passaram e nós pensamos "se eles passam, nós também passamos... não deve ser grave" e seguimos viagem, até chegarmos a um ponto em que o fumo era tão denso, mas tão denso que simplesmente deixamos de ver a estrada. Os carros que seguiram à nossa frente tiveram a mesma reação: "E agora?" uns começaram a fazer inversão da marcha, outros simplesmente ficaram como um maluquinhos no meio da ponte, e até termos ido embora ficaram ali parados, provavelmente na dúvida se avançavam se recuavam. Nos entretantos, os camiões dos bombeiros simplesmente desapareciam quando ultrapassavam aquele bocadinho de estrada. 

 

Jogamos pelo seguro, fomos uns dos que fizeram inversão de marcha e uma hora e meia depois -  o tempo que precisaríamos para chegar ao Porto - lá estávamos nós a passar aquele ponto - mas do outro lado do monte - para regressar a casa em segurança.

 

Tomei consciência do quão fácil é vacilarmos numa situação imprevisível e inesperada. "É só fumo, não há labaredas à vista" e "o mal só acontece aos outros" é um pensamento tão fácil que nos leva por vezes a tomar decisões erradas. Não sei se todos os carros decidiram regressar, ou se decidiram arriscar. Não sei tão pouco se existia um risco efetivo - no final de contas a estrada estava aberta, só a auto-estrada estava fechada, ainda que já tenhamos visto com Pedrógão que isso não é garantia de nada, infelizmente - mas a verdade é que a decisão de regressar não foi imediata, apesar de tudo apontar para ser a decisão mais sensata.

 

Na realidade sabemos muito pouco do que aconteceu, acontece, ou que poderia ter acontecido. Mas no fundo, mais vale perder uma hora e meia na vida, do que a incerteza do que se pode passar para que essa hora e meia não se perca, ou que se perca para sempre...

 

Apercebi-me que é realmente muito fácil tomarmos uma má decisão que possa ser desastrosa, ou só perigosa e inconsequente sem que nos apercebamos e isso é assustador!

Curtas do dia #723

Após uma semana e meia em casa doente a comer porcarias, após um casamento com 60 pessoas mas com comida para umas 200 e totalmente à disposição, e após um almoço de família no dia seguinte com pão da aldeia e queijos vários...

 

Tenho cá para mim que os 20kms que fiz de bicicleta assim que regressei a casa e as 5 músicas que dancei na pista de dança da quinta não foram suficientes para impedir que a mousse de chocolate, o cheescake, o bolo de chocolate, a fruta com chocolate belga, o bolo de noiva e o caldo verde carregado de batata à 1h da manhã, se tenham alojado nas minhas ancas, coxas e rabo para me acompanharem à consulta de nutrição.

 

Hoje é dia de pesagem: Chorem por mim, que eu vou fazer o mesmo.

A quê que sabe a vossa infância?

A minha infância sabe a bolo de arroz. Era doida por bolo de arroz. Deste tradicional com o rótulo azul, muito docinho, muito saboroso, que encontrávamos em qualquer café que se prezasse.

Lanchar fora era sempre uma alegria, porque lanchar fora com a mãe significava o meu bolo de arroz e um pingo de carioca que eu tanto gostava. Falo-vos de uma altura que não deveria de ter mais do que 5 anos, e durante anos, este foi o meu bolo favorito. Simples, sem creme, mas cheio de açúcar - e gordura, pois claro - e sabor.

 

Há inclusive uma história engraçada que roda à volta deste meu deleite.

 

Morava mesmo em frente a um café, era por isso conhecida ali na zona. Um dia, estava em casa e disse à minha mãe que queria um bolo de arroz e um pingo, deveria de ter uns 6 ou 7 anos, e a minha mãe deu-me dinheiro e disse-me:

 

"Tens de escolher: Ou comes o bolo, ou bebes o pingo."

 

Tentava incutir-me responsabilidades, pobre coitada, e como tal, deu-me apenas dinheiro que cobriria a despesa de uma das coisas. Lá fui eu, desci as escadas, atravesso à rua e peço:

 

"Queria um pingo e um bolo de arroz, se faz favor!".

 

Era descarada, mas era bem educada, sempre fui. Comi, bebi, quando chegou a hora de pagar disse toda orgulhosa:

 

"Está aqui o dinheiro do bolo de arroz, o pingo, depois o meu pai paga."

 

E assim, esta miúda, que nada sabia da vida, dava a volta ao texto em 5 segundos sem se apoquentar com as coisas. É uma história que ainda hoje em família desperta muitas gargalhadas, e já se passaram mais de 20 anos. Não me lembro se me ralharam, se me castigaram, se apenas se riram, lembro-me apenas desta história, assim, apenas assim.

 

Hoje em dia os bolos de arroz já não sabem ao mesmo e confesso que não entendo quem mudou: se eles, se eu. Sinto-os mais secos, mais farinhentos, menos doces, ou talvez seja eu que por ter deixado a infância lá tão no passado, já não saiba apreciar o verdadeiro bolo de arroz, mas a verdade é que na minha memória são muito mais saborosos.

 

E a vossa infância, sabe a quê?

Do amor...

Hoje é um dia especial, casa-se uma pessoa muito importante para mim: a minha prima, que mais que uma prima é uma irmã para mim, apesar de viver longe, tão longe aqui da Mula. Por isso hoje não é só a noiva que está nervosa, a madrinha também, porque a madrinha - ou seja, eu - vai discursar sobre o amor....

 

E que sabe esta madrinha sobre o amor?... Ó tão pouco... Tão pouco...

 

 

Provavelmente quando vocês lerem este texto, eles já estarão casados e eu já estarei tranquila e parcialmente derretida devido às temperaturas elevadíssimas deste local nesta altura do ano, o que no fundo é bom, para ir destilando o álcool que vou bebendo, mas nada de somersby ou capirinhas, prometo, prefiro Gin cujas calorias desconheço e prefiro continuar a desconhecer porque olhos que não vêm, ancas que não sentem, não é verdade? E não serão também as ancas as responsáveis pelos amores dos outros? Vá, não entrarei por aí...

 

Ontem dizia-vos que o amor está acima de todas as coisas, brincando com as coisas a que o amor está acima, mas hoje digo-vos mesmo: que o amor está mesmo acima de todas as coisas, porque este dois que se casam hoje são o que eu chamo de um casal improvável e estão neste momento em total união de felicidade em que o filhote de ambos pode assistir.

 

Farei um discurso ensaiado mas sentido neste casório e pretendo falar ao coração das pessoas, porque a verdade é que casar é fácil, difícil é manter um casamento. Difícil é aguentar todas as provações e discussões que se interpõe tantas vezes entre o casal. Difícil é não querer desistir quando as dificuldades são mais que muitas. Não sou ninguém nesta vida para querer dar alguma espécie de lição ou conselho, mas fala-vos alguém que já passou por muito e que está junta há mais de 14 anos, por isso acho que posso dar algumas.... Dicas, digamos.

 

Às vezes perguntam-me se acredito no amor eterno, nos contos de fadas e eu não sei responder, porque acreditar num casamento para a vida - e esses conheço alguns - não significa que exista amor a vida toda. Mas gosto de acreditar que sim, que é possível amar a mesma pessoa a vida inteira sem cansar, sem aborrecer, sem desvanecer, mas também sou da opinião que se esse amor falhar não devem ser as convenções sociais a manter um casal junto, por isso o melhor voto que eu posso dar a alguém que se case é:

 

Que seja eterno enquanto durar, como dizia Vinicius de Moraes, e se tivermos a sorte que dure a vida inteira, felicidade a nossa!

 

Por isso sim, o amor deve mesmo estar acima de todas as coisas, de todas as convenções, de todas as ideias pré-construídas. E hoje eu brindo a eles, e brindo convosco ao amor!

 

Viva o amor!

Curtas do dia #721

As mulheres menstruam, fazem depilação tantas vezes tão dolorosa, dão à luz e usam saltos altos para parecerem mais elegantes, mais magras e mais giras. De forma a existir algum equilíbrio - que de equilíbrio tem muito pouco - alguém inventou as gravatas e achou por bem que devem ser usadas o ano todo em alguns eventos sociais, independentemente de ser Agosto e de poderem estar 40 graus à sombra, algures no interior deste país. 

 

Adoro este universo paralelo. E não estou a ser irónica! Porque hoje.... Hoje eu não gostaria de estar na pele dele, porque eu vou de vestido fresco e sandália rasa e ele de fato e gravata. Afinal ser mulher tem as duas vantagens! 

 

O amor acima de todas as coisas

Conhecem certamente esta expressão, esta expressão que indica que devemos acima de tudo amar, e não nos importarmos com pequenas coisas.

 

Pois que esta expressão só pode ter sido inventada por um homem. Só pode. Ora vejamos

 

O amor acima de todas as coisas...

 

... acima do lixo que não foi levado para o contentor.

... acima da roupa que não foi estendida.

... acima da cama que não foi feita.

... acima do pó que não foi limpo.

... 

 

Ou seja, acima de todas as tarefas que nós lhes pedimos para fazerem, mas que manhosamente vão adiando, por forma a sermos nós a concluir-las com sucesso. No final, quando tentamos chamar-los à razão eles dizem:

 

O amor acima de todas as coisas!

 

Manhosos, é o que são!

Desabafos do quotidiano, por vezes irritados, por vezes enfadonhos, mas sempre desabafos. Mais do que um blog, são pedaços de uma vida.